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photographyofdavidhanjani:

Lost Signal. Photos & Gif By David Hanjani
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Criatura A criatura só pode ser entendida como tal na presença de outras e diante destas surgem uma infinidade de sentimentos, que podem ser bons e ruins. Tais elementos brotam como catalisador das relações que são estabelecidas entre cada uma delas. Este grupo é marcado por agentes possuidores de ambições ímpares, o que causa uma constante situação de atrito. Dentre os aspectos que permitem a aceitação e a elevação em sua lógica hierárquica, o mais fácil de compreender é a estética. Há um ideal cultural inserido neste meio que torna tal ponto fundamental para a maioria das criaturas. Diante disso outros aspectos importantes acabaram por se atrelar ao primeiro, no caso, a estima que possuem de si. A aparência e a auto-estima são casadas nesta esfera, mesmo que contraditoriamente uma não se faça a partir da outra. Isso levou à acreditarem que ser dotada de uma estética reconhecida como agradável pelas outras, seja suficiente para serem detentoras de uma autoconfiança elevada. Como boas criaturas viventes que são, elas possuem uma vasta porção de crendices. Sendo a principal delas, aquela a quem referem-se como deus. Por puro fortúnio do destino, o ser superior em questão, realmente existe e do alto de sua transcendência sublime, ele decidiu lhes falar.  A vida como um passo de bota, desbota, envelhece e fica roto. Tudo há numa tarde para que em um amanhecer não exista mais. A estética tão cara a vocês, não é o caminho e se o fosse, eu não o seguiria. É apenas uma placa, relevante em qualquer estrada, mas nem de longe única e determinante para chegar ao final. Não se confundam! O belo a quem tantos se referem é algo maior, que surge não apenas em um sorriso juvenil, como também, na ruína e na morte. Pois quando chegar o dia no qual o reflexo que te olhar não for prazeroso como hoje é, será melhor poder ainda encontrar deleite no espelho ao invés de viver triste por algo imutável.  Todos ouviram. A criatura olhou para suas irmãs apavorada, o que foi retribuído por olhares semelhantes. Permaneciam todas no mesmo estado. Houve um longo momento de inquietação, e durante este tempo, só escutavam o silêncio. A reflexão substituiu a apreensão anterior, tanto quanto, o murmúrio a mudez. Sentindo repulsa de si, a criatura não era mais a mesma, ela percebeu o qual rasa era sua existência e em seu âmago alguém falou. - Ainda permanecemos na aurora, não há porque lamentar. O grupo mudou, e tal revolução causou uma elevação generalizada no humor delas. As criaturas continuavam únicas em seus gostos e anseios, o que sucedia em conflitos, tal como antes. Contudo a compreensão que elas possuíam do todo as impediam de serem tão vulgares e vagas, fazendo com que olhassem além da aparência daquelas a quem confrontavam. E por tanto, a estima foi partilhada em diversos aspectos que cada uma detinha. Deste modo, a hierarquia presente tornou-se mais maleável e a confiança mais acessível. Deus sorriu diante disso e contemplou as criaturas satisfeito. Mas, seu sorriso durou pouco e logo ficou entediado com essa nova lógica, por isso tirou o cartucho e colocou outro. Agora em sua TV apareciam outros seres, estes chamavam-se humanos. Por mais diferentes que fossem das criaturas, agiam da mesma forma que elas antes da interferência sublime. Deus nunca falou com os humanos. 

Criatura

A criatura só pode ser entendida como tal na presença de outras e diante destas surgem uma infinidade de sentimentos, que podem ser bons e ruins. Tais elementos brotam como catalisador das relações que são estabelecidas entre cada uma delas. Este grupo é marcado por agentes possuidores de ambições ímpares, o que causa uma constante situação de atrito. Dentre os aspectos que permitem a aceitação e a elevação em sua lógica hierárquica, o mais fácil de compreender é a estética. Há um ideal cultural inserido neste meio que torna tal ponto fundamental para a maioria das criaturas. Diante disso outros aspectos importantes acabaram por se atrelar ao primeiro, no caso, a estima que possuem de si. A aparência e a auto-estima são casadas nesta esfera, mesmo que contraditoriamente uma não se faça a partir da outra. Isso levou à acreditarem que ser dotada de uma estética reconhecida como agradável pelas outras, seja suficiente para serem detentoras de uma autoconfiança elevada.

Como boas criaturas viventes que são, elas possuem uma vasta porção de crendices. Sendo a principal delas, aquela a quem referem-se como deus. Por puro fortúnio do destino, o ser superior em questão, realmente existe e do alto de sua transcendência sublime, ele decidiu lhes falar. 

A vida como um passo de bota, desbota, envelhece e fica roto. Tudo há numa tarde para que em um amanhecer não exista mais. A estética tão cara a vocês, não é o caminho e se o fosse, eu não o seguiria. É apenas uma placa, relevante em qualquer estrada, mas nem de longe única e determinante para chegar ao final. Não se confundam! O belo a quem tantos se referem é algo maior, que surge não apenas em um sorriso juvenil, como também, na ruína e na morte. Pois quando chegar o dia no qual o reflexo que te olhar não for prazeroso como hoje é, será melhor poder ainda encontrar deleite no espelho ao invés de viver triste por algo imutável. 

Todos ouviram. A criatura olhou para suas irmãs apavorada, o que foi retribuído por olhares semelhantes. Permaneciam todas no mesmo estado. Houve um longo momento de inquietação, e durante este tempo, só escutavam o silêncio. A reflexão substituiu a apreensão anterior, tanto quanto, o murmúrio a mudez. Sentindo repulsa de si, a criatura não era mais a mesma, ela percebeu o qual rasa era sua existência e em seu âmago alguém falou.

- Ainda permanecemos na aurora, não há porque lamentar.

O grupo mudou, e tal revolução causou uma elevação generalizada no humor delas. As criaturas continuavam únicas em seus gostos e anseios, o que sucedia em conflitos, tal como antes. Contudo a compreensão que elas possuíam do todo as impediam de serem tão vulgares e vagas, fazendo com que olhassem além da aparência daquelas a quem confrontavam. E por tanto, a estima foi partilhada em diversos aspectos que cada uma detinha. Deste modo, a hierarquia presente tornou-se mais maleável e a confiança mais acessível.

Deus sorriu diante disso e contemplou as criaturas satisfeito. Mas, seu sorriso durou pouco e logo ficou entediado com essa nova lógica, por isso tirou o cartucho e colocou outro. Agora em sua TV apareciam outros seres, estes chamavam-se humanos. Por mais diferentes que fossem das criaturas, agiam da mesma forma que elas antes da interferência sublime.

Deus nunca falou com os humanos. 

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A Morte (mas não para você pistoleiro).
O apetite do curioso Agarra o pão, queijo e três filhos Come salada e ferve o milho Mastiga arroz e mistura o cozido Tem fome e é conduzido Por isso trata logo de temperar com tomilho Não quer saber se o ingrediente é proibido Prometeu a si mesmo que não leria o livro Encontra se saciado pois fora traído Lambuzado de tanto sabido Culpado de ter faniquito

O apetite do curioso

Agarra o pão, queijo e três filhos
Come salada e ferve o milho
Mastiga arroz e mistura o cozido
Tem fome e é conduzido
Por isso trata logo de temperar com tomilho
Não quer saber se o ingrediente é proibido
Prometeu a si mesmo que não leria o livro
Encontra se saciado pois fora traído
Lambuzado de tanto sabido
Culpado de ter faniquito

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Concelho III - Final A condição imperfeita que gesta o mundo conduziu meus anseios, por isso não permaneço mais em um canto nem mesmo naquele prédio, me encontro em repouso. Envolto de paredes e escombros, poeira e sujeira, medo e fúria. As inscrições gravadas sobre as folhas são um interlúdio do real. Esse momento em que descrevo a circunstância não passa de um grito sufocado de culpa. A ordem processual de uma regra levou minhas ações ao esperado e agora a distância clareia o breu que formei em minha volta. Sou pior que todos eles. A ausência que pratico hoje ao conselho de classe é a ausência que pratiquei ao longo de toda minha estadia naqueles territórios. Neste momento percebo que anteporia compor o coro de almas. 

Concelho III - Final

A condição imperfeita que gesta o mundo conduziu meus anseios, por isso não permaneço mais em um canto nem mesmo naquele prédio, me encontro em repouso. Envolto de paredes e escombros, poeira e sujeira, medo e fúria. As inscrições gravadas sobre as folhas são um interlúdio do real. Esse momento em que descrevo a circunstância não passa de um grito sufocado de culpa. A ordem processual de uma regra levou minhas ações ao esperado e agora a distância clareia o breu que formei em minha volta. Sou pior que todos eles. A ausência que pratico hoje ao conselho de classe é a ausência que pratiquei ao longo de toda minha estadia naqueles territórios.

Neste momento percebo que anteporia compor o coro de almas. 

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Concelho II Enfim permaneço no canto. Agora minha posição reflete minha autoridade. Meus gracejos compõem esse monótono coral. Dito e o coordeno, não com gestos pois não sou um maestro, um algoz talvez. Mantenho suas almas em continua ameaça, pois só assim, ante meu velar, os faço cantar.

Concelho II

Enfim permaneço no canto. Agora minha posição reflete minha autoridade. Meus gracejos compõem esse monótono coral. Dito e o coordeno, não com gestos pois não sou um maestro, um algoz talvez. Mantenho suas almas em continua ameaça, pois só assim, ante meu velar, os faço cantar.